Marta repudia postagem de organização cristã OM Ships International: “Caso explícito de racismo religioso e ela deve se retratar”

Líder do PT na Câmara e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Democracia Makota Valdina, a vereadora Marta Rodrigues repudiou a postagem da organização cristã OM Ships International, responsável pelo navio Logos Hope, que chega a Salvador nesta sexta (25), onde dizia que Salvador era conhecida por ‘cultuar demônios e espíritos”. “Trata-se de um caso explícito de racismo religioso. Demonstra total ignorância e desrespeito com a fé alheia. Não precisamos da chegada de grupos que pregam este tipo de discurso, que só alimenta ainda mais o ódio e o fascismo. Salvador é uma cidade negra, o candomblé é uma religião maciça e merece ser respeitada. Se eles se incomodam tanto, não deveriam aportar aqui”, disse a vereadora, lembrando ainda que o legislativo municipal aprovou recentemente o Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa, Lei 9.451/2019. “Tivemos muito empenho para aprovar esse Estatuto e ele deve ser respeitado na nossa cidade. O artigo VII considera intolerância religiosa: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência, incluindo-se qualquer manifestação individual, coletiva ou institucional, de conteúdo depreciativo, baseada em religião, concepção religiosa, credo, profissão de fé, culto, práticas ou peculiaridades rituais ou litúrgicas e que provoque danos morais, materiais ou imateriais, atente contra os símbolos e valores das religiões afro-brasileiras, ou seja, capaz de fomentar ódio religioso ou menosprezo às religiões e seus adeptos”, explicitou. A edil cobrou, ainda, uma retratação por parte do grupo, que chega na capital baiana trazendo uma livraria flutuante. “Achei importante e rápida a atuação do MP-BA, por intermedio da promotora Livia Vaz, de investigar a mensagem de cunho discriminatório. Uma organização que se propõe a trazer uma livraria deveria no mínimo ter mais conhecimento a respeito do local onde aporta”, pontuou a petista. A publicação da organização foi feita na terça-feira (22), mas foi apagada logo após o caso repercutir nas redes sociais e na imprensa baiana. “Infelizmente, estamos vivendo uma onda de racismo religioso e organizações como essas nao podem chegar aqui, cometendo esse tipo de crime, e ficando impunes. Merece ser investigada, deve se retratar e se não gostar, que saia da cidade. Não vamos abrir espaço para o fascismo e para o racismo religioso”, declarou.
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