Vazamento sobre propinas da Odebrecht pode complicar a empresa no exterior

Uma investigação jornalística acaba de abrir um novo capítulo para os problemas legais da Odebrecht na América Latina. O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) teve acesso a arquivos obtidos pelo site equatoriano La Posta contendo 13.000 documentos armazenados na plataforma de comunicação Drousys, utilizada pelo então setor de Operações Estruturadas da companhia, responsável por controlar os pagamentos de propinas em vários países. Até então, a Operação Lava Jato detinha o acesso privilegiado a estas informações, bem como a distribuição de seu conteúdo para os países interessados e que investigavam o escândalo, que sacudiu a política latino-americano, especialmente a de Brasil e Peru.

A primeira reportagem com dados vazados do Drousys afirma que executivos que fizeram acordos de delação omitiram pagamentos de propinas em quatro países: 39 milhões de dólares relacionados a usina de carvão de Punta Catalina, na República Dominicana; cerca de 3 milhões de dólares relacionados a um gasoduto peruano; cerca de 18 milhões de dólares ligados ao sistema de metrô na Cidade do Panamá; e mais de US$ 34 milhões ligados à Linha 5 do sistema de metrô em Caracas. Também cita mensagens discutindo “pagamentos secretos” relativos à construção do metrô em Quito.

Segundo os jornalistas da revista Época e do site Poder 360 – que fazem parte do consórcio de mais de 50 profissionais, de 10 países, que tiveram acesso aos dados –, essa omissão pode colocar em xeque os acordos feitos com a empresa no Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ), com o qual a empresa acertou pagamento de multa de 2,6 bilhões de dólares, além de uma declaração pública de culpa. O DoJ afirma que a Odebrecht pagou mais de 788 milhões de dólares em propina, entre 2001 e 2016, e teve 3,3 bilhões de dólares de benefícios.

A Odebrecht nega qualquer omissão. Em nota, a empresa afirma que “todos os documentos e testemunhos sobre fatos acontecidos no passado, inclusive a base completa de registros dos sistemas Drousys e My Web Day do extinto setor de Operações Estruturadas, estão há três anos sob posse do Ministério Público Federal brasileiro (MPF) e Departamento de Justiça americano (DOJ)”.

A empresa afirma ainda que nem todos os projetos mencionados nesses documentos têm vinculação com atos de corrupção, e que várias informações compartilhadas com a Justiça de diversos países ainda não vieram a público por conta da confidencialidade dos processos.

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

FOLLOW @ INSTAGRAM