15 de maio: Cortes e ataques às universidades públicas catalisam mobilização contra Bolsonaro

O Governo Bolsonaro conseguiu algo pouco habitual, que os cientistas saiam de seus laboratórios para protestar nas ruas. Jair Messias Bolsonaro, que estudou em uma academia militar nos anos setenta, durante a ditadura, antes de empreender uma longa carreira parlamentar, nunca escondeu que considera as universidades públicas um ninho de vermelhos perigosos e a qualidade da educação, desastrosa. Erradicar o que denomina de “marxismo cultural” e “ideologia de gênero” das salas de aula é uma de suas obsessões.

Foi neste panorama já polarizado que o ministro da Educação, Abraham Weintraubm resolveu usar uma retórica ainda mais belicosa contra as instituições para anunciar os cortes. Foi o que ajudou a tirar as cientistas do laboratório. Foi o ingrediente que faltava para unir o mal-estar no setor, onde os professores de todos os níveis já se mobilizavam contra as mudanças prometidas na reforma da Previdência. Agora, a convocatória nacional da categoria contra alterações nas aposentadorias, prevista para a quarta-feira dia 15, ganhou o reforço da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Para além dos chamados das organizações, o chamariz dos protestos se mostra nas redes sociais. Já houve atos maiores e menores em capitais e cidades médias. Universidades e institutos federais afetados pelos cortes também fazem assembleias específicas para aderir ao movimento. A articulação projeta a quarta-feira como um teste importante tanto para o fôlego da mobilização como para a capacidade de reação de Bolsonaro.

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