Humorista Zelenski é eleito presidente da Ucrânia com discurso antissistema

E o ator virou presidente. A Ucrânia decidiu neste domingo entregar as rédeas do país a Volodímir Zelenski, um cômico sem nenhuma experiência política. Com uma campanha centrada na luta contra a corrupção, um fardo que pesa sobre o país, e contra o sistema, Zelenski, de 41 anos, arrebatou a presidência do veterano Petro Poroshenko. Com 42% dos votos apurados, tinha mais de 70% da preferência do eleitorado. O ator, que soube enganchar os eleitores ao ritmo e ao tom de show de sua campanha, tirou vantagem desse barulho e se fez com o voto do desencanto com a elite política e a oligarquia ucraniana. Zelenski liderará o último país em guerra da Europa, um país estratégico geograficamente, marcado pela tensão com a Rússia.

O descontentamento pela situação econômica, os constantes escândalos de corrupção que Poroshenko não encarou em seus cinco anos de Governo e a angústia pelo conflito no Leste, que já custou a vida de cerca de 13.000 pessoas, empurraram o ator ao poder. E, se as sondagens de boca de urna estão certas, a Ucrânia passa a engrossar a lista de países que entregaram as rédeas a líderes alheios à política em um momento de agitação política em todo mundo, com o Brexit no Reino Unido, a eleição do magnata Donald Trump nos Estados Unidos ou o Movimento 5 Estrelas na Itália.

Zelenski, que interpreta exatamente um honrado professor numa série, que depois de se converter em uma estrela nas redes sociais, ganha as eleições, já vaticinou na última sexta-feira quando, no estádio olímpico de Kiev, em um debate eleitoral inédito, avisou Poroshenko: “Não sou teu oponente, sou tua sentença”. O atual presidente, magnata dos doces —conhecido assim porque fez sua fortuna com suas empresas de chocolate— tinha uma tarefa difícil pela frente para se reeleger. Já na primeiro turno teve a metade dos votos do humorista. Ainda que tivesse todas as pesquisas prévias na contramão de um resultado favorável, Poroshenko confiava no voto oculto e nos indecisos até o final.

Não conseguiu se sobrepor à raiva de uma cidadania faminta por mudanças. Para esses, havia o nome de Volodímir Zelenski. Anna Tomak, de 25 anos, foi uma das que apostou no humorista para dirigir seu país. O seu foi um voto contra o sistema. “Precisamos de uma mudança, o país merece, temos que lutar por isso”, afirmou a jovem em um colégio eleitoral de Kiev. Só 9% dos ucranianos acreditam em seus governantes. Uma cifra que contrasta com a média dos países pós soviéticos, que está em 48%. A média global se situa em 56%.

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