Diretor-geral do Irdeb recebe título de cidadão soteropolitano na Câmara e pede resistência pela permanência da TV Pública

O diretor-geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), jornalista Flávio Gonçalves, recebeu, na noite desta quarta-feira (28), o título de Cidadão Soteropolitano pela Câmara Municipal de Salvador. A concessão do título, fruto de um projeto de resolução da vereadora Marta Rodrigues (PT), ocorreu no plenário Cosme de Farias ao som de tambores, música ao vivo e com a presença de diversas autoridades e personalidades da música e da cultura baiana.

A solenidade foi iniciada pelo atual presidente da Casa, vereador Leo Prates (DEM), que comentou um pouco da história do título concedido pelo legislativo municipal àqueles que prestaram serviços relevantes ao município de Salvador. Em seguida, ele passou a palavra para a vereadora Marta Rodrigues, que explicou um pouco das motivações do projeto de resolução.

“Flavio, desde 2016, quando assumiu a direção geral do IRDEB, vem ampliando a repercussão da TVE e da Rádio Educadora com conteúdos que mostram a verdadeira cara do nosso povo, da nossa cultura e de nossas festas populares”, disse.

Segundo a edil, a atuação de Flávio – nascido em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo – tem sido fundamental para a ampliação das transmissões de shows exclusivos de grandes artistas baianos e brasileiros. Além disso, acrescenta ela, a TVE passou a ser “a casa do futebol baiano”, com a transmissão de seis campeonatos, valorizando competições que não tinham visibilidade.

“Com Flávio na direção do IRDEB, a TVE e a Rádio assumiram junto à ONU o compromisso de serem as Emissoras da Década Internacional Afrodescendente na Bahia com conteúdos diversos que combatem o racismo e promovem a igualdade racial. Neste período a TVE foi a primeira emissora pública estadual do país a estar disponível em HD na operadora de TV por assinatura NET. Falar de Flávio e de sua atuação no IRDEB é também falar da democratização da mídia, algo extremamente necessário para pautar a pluralidade dos meios de comunicação e dos movimentos sociais”, disse Marta.

Estiveram presentes na mesa, além do homenageado e dos já citados, o presidente eleito da Câmara para o biênio 2019/2020, Geraldo Junior; o secretário de Desenvolvimento Rural, Jerônimo Rodrigues representando o governador da Bahia, Rui Costa; o deputado federal Marcelino Galo (PT), a ex-primeira dama da Bahia, Fátima Mendonça; a secretária de Cultura do Estado, Arany Santana; a mãe de Flávio, Tânia Maria Gonçalves; a chefe de gabinete do IRDEB, Camila Vieira e a Ebomi da Casa de Oxumarê, Sandra Bispo.

Para o secretário Jerônimo Rodrigues, a homenagem a Flávio é mais do que justa. “Queria em nome do governador e de meus colegas que estão aqui, agradecer a contribuição do profissional, do militante da comunicação, o companheiro Flávio, em nome do governo, pelo seu fundamental apoio no fortalecimento de nossa agenda baiana, mostrando a realidade que é pouco vista nas televisões baianas e brasileiras”, disse.

Já a mãe do homenageado, Tânia Maria, emocionada, fez uma breve fala agradecendo ao povo baiano e soteropolitano pelo título. “Quero dizer meu muito obrigado à Câmara, em nome do povo baiano, por reconhecer Flávio pela pessoa que é e pelo profissional que é”, frisou.

Após a entrega do título, Flávio foi presenteado pelo Ilê Axé Oxumarê, casa que frequenta. Por meio das mãos da Ebomi Sandra Bispo, ele ganhou uma estátua de Oxóssi, orixá que rege a cabeça do comunicólogo.

Em nome de Babá Pecê, o babalorixá responsável pelo terreiro, Ebomi Sandra fez discursou sobre a importância da TV Pública no combate ao racismo, ao sexismo e ao genocídio da juventude negra.

“Temos a felicidade de ter o IRDEB como grande instrumento de responsabilidade e compromisso na mão de nosso irmão Flávio. A Rádio Educadora e a TVE, apesar de toda dificuldade, se volta para a sociedade. Sempre se preocupa em ressaltar os valores culturais, éticos, morais e humanos, destacando sempre uma programação que valoriza o público não somente como consumidor, mas fundamentalmente como cidadão sócio-político e cultural. Não é uma missão fácil usar parâmetros de qualidade e conteúdos diversos em sua programação cotidiana, valorizar a cultura e o audiovisual através da informação”, disse.

Flávio Gonçalves – Último a falar, o homenageado agradeceu e comentou a situação atual da TV Pública no Brasil, que corre o risco de fechar com o governo do presidente do País eleito.

“Queria agradecer ao povo de Salvador e da Bahia, pois foram eles que me fizeram estar aqui nesse momento. Foi o povo de Salvador que há 40 anos criou a Rádio Educadora FM e há 33 anos a TVE. Foii o povo de Salvador que elegeu e agora reelegeu Rui Costa. Então é por conta desse povo que estou aqui, que foi quem construiu esses dois patrimônios. Salvador é um local de resistência assim como a Bahia. E fazer comunicação pública é resistência. Quando a gente pega bota pra funcionar uma TV e uma rádio pública, diferentemente de outros países onde elas funcionam tão bem e com maior orçamento, estamos resistindo e caminhando”, disse.

Flávio comentou um pouco sobre a conjuntura política do país e lembrou de uma conversa que teve com o cantor Caetano Veloso. “Caetano uma vez me falou ‘Flávio, nem na Inglaterra, a Margaret Tatcher, que se pudesse privatizava até o ar, nem ela imaginou, sonhou e ousou fechar a TV e a rádio pública da Inglaterra porque a sociedade não permitiria isso’”, recordou. “ Vamos precisar resistir muito nesses próximos anos para que a TV Pública brasileira continue existindo. Não podemos permitir o seu fechamento, que seria grande retrocesso. Fico honrado em poder dizer que agora sou um cidadão soteropolitano e devo esse título aos 15 milhões de baianos que construíram essa história”, concluiu.

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