Quais são as características dos candidatos em 2018?

As eleições de 2018 estão dando o que falar, após um período de instabilidade institucional que foi iniciado com a mobilização do Congresso Nacional para o Impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e as revelações da Lava Jato, que colocaram diversos políticos e empresários na berlinda.

Com isso a corrida presidencial e para o governo dos estados começou com um alto teor de incerteza dos possíveis resultados eleitorais. As pesquisas de opinião mostram que o cenário eleitoral de 2018 é altamente competitivo. Os políticos enfrentam a dura missão de reconquistar o eleitorado e de atrair os eleitores às urnas. Num cenário tão incerto a respeito dos futuros representantes, apresentamos a radiografia do perfil dos candidatos e dos partidos.

Os estudos da Ciência Política constantemente analisam a organização e a força dos partidos políticos por meio dos dados de lançamento e de eleição de candidatos. O lançamento de candidatos representa certa organização dos partidos no território, demonstrando a presença das agremiações em determinadas regiões e municípios.

Nas eleições de 2018, quais foram os partidos que mais lançam candidatos? De acordo com os dados do TSE, os cinco partidos que mais ofertaram candidatos em 2018 são o PSL (1520 candidatos), PSOL (1333), PT (1284), Patriotas (1168) e MDB (1107). Se compararmos com os dados de 2014, notamos que há uma mudança dos partidos que conseguem lançar candidatos, nas eleições de 2018 os partidos que mais lançaram candidatos foram: PT (1336), PSB (1353), MDB (1312) e PSOL (1253). Os dados mostram que o PT e o MDB são os partidos que mais conseguem lançar candidatos nas eleições nacionais, destacando a organização desses partidos ao longo dos ciclos eleitorais. Outro fator que podemos observar é que os partidos de uma forma geral conseguem lançar um alto número de candidatos, revelando a presença dessas agremiações em todo o país.

O maior número de candidatos homens é um fator que vem sendo observado nos diversos tipos de regimes políticos. Teresa Sacchet e Bruno Speck apontam que a baixa presença de mulheres em espaços de tomada de decisão política assumiu uma posição central para a representação política uma vez que esse debate abrange a discussão sobre o papel das mulheres nos cargos da alta burocracia estatal, nos partidos políticos e em cargos eletivos.
Em relação à baixa presença de mulheres nas disputas eleitorais, o Brasil não foge à regra. Os gráficos 4 e 5 destacam que a maioria (68,95% em 2014 e 68,74 em 2018) dos candidatos apresentados são do sexo masculino.

As candidaturas femininas ainda enfrentam diversos desafios. Um deles está ligado ao financiamento das candidaturas femininas. Os estudos mostram que as mulheres captam menos recursos do que os homens. A partir desta constatação, o TSE aprovou uma medida que visa reduzir a desigualdade entre homens e mulheres no acesso a recursos financeiros para as campanhas políticas. Neste ano, os partidos são forçados a destinar ao menos 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e 30 % do tempo de rádio e TV para as candidaturas femininas. Essa medida visa aumentar, na prática, o número de mulheres no Senado e Câmara dos Deputados.

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