“Baixos índices de imunização expõem falhas estratégicas e comunicação deficiente”, por Humberto Costa

Diferente da intenção dos gestores da saúde pelo Brasil, a vacinação contra a poliomielite e o sarampo não alcançou números significativos. Essa situação é reflexo de políticas públicas insuficientes e planejamentos que não foram bem sucedidos para operacionalizar a imunização das nossas crianças.

Fazendo um recorte geográfico para a capital baiana, o que vimos foi a tentativa de imputar aos servidores mobilizados, o baixo alcance da imunização na cidade. O cenário no Brasil inteiro é de receios, falta de acesso ao serviço e burocracias desnecessárias que juntam-se com a falta de eficácia na comunicação com a sociedade. Essa combinação existente em todo país joga por terra, a teoria da gestão municipal de que os trabalhadores estariam prejudicando a estratégia da vacinação. Isso demonstra o quanto a decisão da Justiça contra nossa mobilização foi errada, vazia e estúpida.

A responsabilidade da sociedade não pode ser desprezada, mas tem que ser levada em consideração que em tempos de fake news. O poder público precisa desmitificar receios sobre a imunização e informar sobre o ato de vacinar, além de dispor da tecnologia para garantir o fluxo informacional de dados dos imunizados. Faz necessário que as secretarias de saúde disponham de multimeios para gerenciar os atendimento em saúde.

Lamentar que os “país não estão trazendo os filhos não é a melhor forma de tratar da situação. Tentar se eximir da responsabilidade de garantir avanços nos números em relação ao ano passado é um erro gravíssimo que não pode perdurar em tempos de surtos. A cobertura vacinal apresentou um percentual preocupante até agora e faz-se urgente, uma política de reação e essa estratégia deve atingir o público-alvo onde quer que esteja.

No serviço público de Salvador, temos um time de profissionais altamente capacitados para informar à sociedade e formar consciências sobre a necessidade de garantir as vacinas. Cabe ao Poder Público garantir condições suficientes para que esse direito seja ofertado na expectativa de erradicação das doenças.

A ASMS coloca-se á disposição para discutir e apresentar sugestões para incrementar o trabalho da vacinação. Ademais, apresentará também esse tema para discussão no Conselho Municipal de Saúde de Salvador que, na sua missão institucional, faça os debates e aponte medidas para que sejam eficientes e eficazes para a saúde de nossas crianças soteropolitanas.

Humberto Costa é presidente da Associação dos Servidores Municipais de Saúde de Salvador (ASMS)

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

FOLLOW @ INSTAGRAM