Explosão de caixas-fortes vira novo filão para criminosos brasileiros

Ataques a cofres de empresas de transporte de valores se transformaram em uma das modalidades mais lucrativas para organizações criminosas brasileiras nos últimos dois anos. De 2015 a 2017, ocorreram no país 12 assaltos ou tentativas que resultaram em um prejuízo de pelo menos 184,4 milhões de reais. A migração para esse tipo de crime ocorreu após o endurecimento das polícias e das próprias empresas de segurança no monitoramento dos veículos (os carros fortes), que fazem o transporte do dinheiro entre bancos, lotéricas e suas bases – conhecidas também como caixas-fortes, que são os cofres onde o dinheiro é guardado.

A lógica, segundo policiais militares e federais ouvidos pela reportagem, foi o de buscar o dinheiro direto na fonte, ao invés de interceptar o veículo intermediário. Além disso, o que tem influenciado na decisão dos criminosos é a frágil fiscalização sobre o montante movimentado por algumas dessas empresas.

As invasões dessas bases costumam ocorrer de uma maneira extremamente violenta e organizada com táticas militares. Geralmente entre 30 e 50 criminosos equipados com fuzis e armamentos de uso restrito das forças de segurança rendem vigilantes, explodem paredes e cercam o entorno do local com atiradores para evitar a aproximação da polícia.

Procurada, a Associação Brasileira das Empresas de Transporte de Valores, que representa os principais alvos desses criminosos, disse por meio de um comunicado que nos últimos cinco anos foram investidos 400 milhões de reais em “tecnologia, infraestrutura e treinamento de equipe para tornar ainda mais eficiente a segurança de todos os seus processos”. Mas esses gastos por si só não garantem que esses ataques serão barrados ou reduzidos, já que deveria haver mais rigor no combate ao tráfico de armas e no transporte de explosivos. “Os ataques são praticados por quadrilhas especializadas, que atuam em âmbito interestadual, com equipamentos cujo combate está além da capacidade permitida às empresas para se protegerem”, queixam-se as empresas.

Entre as autoridades brasileiras, ainda não houve uma integração para se discutir o assunto. Uma análise feita pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) ressaltou essa falta de integração policial e mostra que, enquanto as forças de segurança estão em descompasso, os criminosos estão bem articulados, utilizando um crime para financiar outros. Por exemplo, os ataques a série de explosões de caixas eletrônicos que antecederam aos ataques às bases serviram para financiar os assaltos dessas. Tudo acaba sendo retroalimentando com o tráfico de drogas e outros delitos.

No fim de 2016, o Governo Federal anunciou que investiria cerca de 450 milhões de reais no monitoramento das fronteiras. Os valores ainda serão gastos ao longo deste ano, segundo o que foi apresentado pelos ministérios da Defesa e da Justiça.

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

FOLLOW @ INSTAGRAM