Chavistas instalam Assembleia Constituinte que anula Parlamento venezuelano

Com a transferência de dois imensos retratos – um com a imagem oficial do Libertador Simón Bolívar e o outro, com a do “comandante eterno”, Hugo Chávez –, o chavismo quis simbolizar o desejo de restauração e revanche que inspira a instalação da Assembleia Nacional Constituinte, convocada pelo presidente Nicolás Maduro e inaugurada nesta sexta-feira à tarde em Caracas.

“Voltou, voltou”, entoavam os mais de 500 deputados chavistas enquanto atravessavam a entrada principal do Palácio Federal Legislativo. Chegavam caminhando desde a Praça Bolívar, nas imediações, carregando as duas imagens com a devoção que se dedica às relíquias. Ambas estavam em destaque no plenário da Assembleia Nacional que a Revolução controlou de maneira absoluta durante uma década, mas foram removidas dali quando em janeiro de 2016 teve início uma nova legislatura, de maioria oposicionista.

Sem encontrar resistência, os membros da Constituinte, leais ao governo, levaram os quadros da sede cerimonial do Parlamento para o Salão Elíptico, em pleno centro histórico da capital venezuelana. Já haviam despejado desse espaço os deputados da Assembleia Nacional, ausentes. Mas chegam também com a missão explícita de dissolver esse poder, despojar seus adversários de seu foro de imunidade e pôr alguns deles na prisão. Para levar isso adiante, alguns dos membros da Constituinte contam apenas com um mandato de 1.000 votos, como ocorreu com os representantes do chamado setor empresarial, conforme se revelou na véspera.

A ex-chanceler Delcy Rodríguez foi escolhida presidenta da Constituinte, acompanhada na direção pelos ex-vice-presidentes da República nas gestões de Hugo Chávez, Aristóbulo Istúriz e Isaías Rodríguez. A ex-ministra de Relações Exteriores, irmã do influente prefeito do Município Libertador de Caracas, Jorge Rodríguez, aliado próximo do presidente Maduro, surgiu como nome de consenso para um cargo ao qual aspiravam a esposa de Maduro, Cilia Flores, e o número dois do chavismo, Diosdado Cabello.

Delcy Rodríguez tomou o juramento dos demais colegas. Na cerimônia não estavam ocupados todos os 545 assentos do corpo deliberativo. No dia anterior, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e os governistas concordaram em repetir as eleições em dois municípios da região de Los Andes, o que compromete sete cadeiras.

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