Lavagem do Caranguejo Cortejo revela toda diversidade cultural de Lauro de Freitas

Ao som dos atabaques, agogôs e barimbaus, baianas, grupos de dança e capoeiristas puxaram o cortejo cultural, neste domingo, cumprindo a tradição no último dia da Lavagem do Caranguejo, em Itinga. A atividade, que integra o Calendário Oficial de Festejos de Lauro de Freitas, se consolida como uma das maiores festas populares do município.

Aberto com uma apresentação da Cia Municipal de Teatro inspirada nos manguezais, o cortejo saiu do Alto da Itinga arrastando uma multidão que seguiu o mesmo roteiro da primeira lavagem em 1983, até o Largo do Caranguejo, para lavar as escadarias e homenagear os orixás e personalidades que contribuíram para manter viva a tradição de 34 anos.

Em todo o trajeto, o grupo Azânia, comandado por Dona Aidê, e a banda Afoxé Korin Nagô, de Itapuã, reverenciaram suas origens sob aplausos dos foliões. “Sempre imaginei essa festa do jeito como se consolidou hoje. Faz parte do calendário cultural de Lauro de Freitas, passada de geração em geração”, comemorou Pai César, um dos organizadores da festa em parceria com a Prefeitura de Lauro de Freitas por meio da SECULT-Secretaria de Cultura e Turismo, e Conselho Municipal de Cultura.

À frente do cortejo, a prefeita Moema Gramacho destacou o esforço da gestão para resgatar, manter e ampliar o espaço da cultura e das manifestações populares. “Vamos continuar mantendo a tradição e toda reverência à cultura de Lauro de Freitas. Aqui se aflora nossa baianidade e a certeza de que Itinga é Lauro de Freitas”.

No Largo do Caranguejo, a reverência aos orixás marcou a festa com um espetáculo de grande beleza e significado. No meio da roda formada por cerca de 80 baianas e pais de santo de vários terreiros, Pai Cezar comandou o ritual com uma oração em iorubá elevando pedidos de paz no mundo.

Antes do ritual, o babalorixá dirigiu uma homenagem especial a Rogaciano Batista. Seu Lourinho, hoje com 90 anos, vendia crustáceos junto com Antônio Caranguejo, criador da festa. Cada um tinha sua barraca, mas a mesma história de luta para criar a família.
Emocionada com as homenagens, Antonia Maria, filha de Caranguejo disse que a lavagem eterniza a memória de seu pai, um homem que lutou pela família e pela cultura da cidade. “É como se meu pai estivesse aqui”, revelou.

Feliz com a organização e proporção que a festa tomou, o titular da SECULT fez um balanço positivo da atividade. “Essa festa, tradição em Itinga, traz toda a diversidade cultural de Lauro de Freitas e reafirma o sentimento de pertencimento a nossa terra. Itinga é Lauro de Freitas e isso fica evidenciado em manifestações como estas”.

A Lavagem do Caranguejo foi aberta na sexta-feira e seguiu até a noite de domingo, com o desfile de 17 blocos nos três circuitos e trios parados onde se apresentaram artistas e grupos consagrados como o Bankoma, e bandas locais. A avaliação também foi positiva para os vendedores ambulantes que aproveitaram para driblar a crise e melhorar a renda da família.

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