São Gonçalo dos Campos: prefeito lança decreto e veta requisição de direitos trabalhistas dos servidores

sgc_02A cidade de São Gonçalo dos Campos (108 km da capital baiana) viveu hoje (11) um dia de mobilização protagonizada pelos seus servidores municipais. A categoria paralisou suas atividades em repúdio ao tratamento dispensado pelo prefeito José Carlos Araujo, conhecido como “Carlos Germano”.

Alegando a falta de condições financeiras do município para honrar as obrigações com os servidores, “Carlos Germano” alega no site oficial da prefeitura que estabeleceu diálogo com a categoria e atendeu pleitos. Ocorre que as demandas que o gestor alega ter cumprido são obrigações de qualquer empregador, como por exemplo, disponibilizar equipamento de proteção individual.

O prefeito considerou injusta, a mobilização dos servidores municipais, apontando que os mesmos preferiram “recuperar as vantagens que deixaram de ser concedidas ao longo de gestões passadas”. A pauta de reivindicações tem itens como  progressão salarial, atualização do quinquênio, concessão de licenças prêmio, pagamento das diferenças dos reajustes anuais de 2015/2016, empréstimo consignado e revogação do decreto 046/2017, onde  declara a suspensão temporária de requisição de direitos e valores dos servidores em claro desrespeito aos trabalhadores.

O protesto realizado no centro da cidade contou com a participação de diretores do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador [Sindseps] que estiveram em apoio ao ato promovido pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipal de São Gonçalo dos Campos [Sindserp] em conjunto com a Associação dos Guardas Municipais de São Gonçalo. Os dirigentes das entidades estiveram nas rodadas de negociações com a gestão e mantiveram postura firma na defesa dos direitos dasgc_03 categoria.

Para o diretor do Sindseps, Bruno Carianha, a luta dos servidores municipais de São Gonçalo dos Campos é semelhante ao enfrentamento feito pelos colegas de Salvador. “Viemos aqui para apoiar de maneira significativa, a mobilização que tem os colegas José do Patrocínio e Cláudio Nascimento à frente. Enxergamos as mesmas dificuldades e notamos aqui também o mesmo modus operandi de tentar desqualificar a ação sindical feita pelo prefeito de Salvador. De forma aguerrida, esses trabalhadores e trabalhadoras mantém a fé na luta. Manteremos o apoio e traremos muitos mais companheiros para engrossar as fileiras da batalha contra essa forma arcaica de fazer política e lidar com direitos trabalhistas que está sendo feito pelo prefeito de São Gonçalo dos Campos. A Bahia precisa saber disso e esse missão de mostrar essa situação será nossa”, declarou Carianha.

Uma declaração atribuída ao prefeito “Carlos Germano” enfureceu os servidores pelo conteúdo desrespeitoso que teria sido proferido pelo político em uma rádio local. Segundo um servidor, ele teria sugerido que “quem quisesse dinheiro, que pegasse empréstimo com um agiota, pois somente pagaria ao findar do quinto dia útil do mês”.

Segundo Carianha, a forma jocosa e equivocada mostra o despreparo do gestor na condução da coisa pública. “Ouvir isso de um prefeito em tempos democráticos é algo surreal. Como imaginar que no século 21, alguém trate trabalhadores como os fazendeiros de outrora tratavam. O serviço público não cabe mais pessoas com esse comportamento e a cidade precisa saber o gestor que tem. Os servidores são patrimônio do município e o prefeito trata assim. Lamentamos essa postura e levaremos esses fatos ao conhecimento público e de longo alcance”, finalizou.

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