Por uma imprensa sensacional

O trabalho da imprensa se constitui em ferramenta para fortalecimento da democracia e exercício da cidadania plena. O papel dos veículos de comunicação foi e continua sendo preponderante na construção de cena social. Apesar disso, um pequeno número de profissionais prefere um trabalho reducionista que muitos, preferem chamar de sensacionalista.

Mesmo que não exista de sensacional, apenas causam sensações diversas nos seus espectadores. Notadamente, a tevê e o rádio [em menor proporção] tem sido palco para inúmeras desconstruções tendenciosas do tecido social.  Narrativas orais e imagens ganham peso nas expressões de exagero incontido promovidas por animadores de cunho populista.

Esse apelo pela audiência transforma o jornalismo em algo de consumo fácil e muitas vezes, travestido de caixa de ressonância do clamor popular. Ledo engano, apenas acreditam esses “promotores da sociedade” que, as camadas ditas de menor nível cultural são suscetíveis ao canto de seus berros, xingamentos, caras e bocas.

Prestam um desserviço à sociedade quando estimulam a barbárie como resposta ao caos social latente. Elevam a condição de alvos, servidores públicos em cumprimento do dever legal. Distorcem situações em claro abuso da inteligência do seu espectador para tornar suas ilações em “verdades absolutas”. Julgam pretos, pobres e moradores da periferia como se fossem criminosos. Esses “senhores e senhoras” até mesmo condenam acusados antes do processo investigatório. Criam cenários para dar vazão ao populismo que garante audiência e consequentemente seus patrocinadores.

A responsabilidade do comunicador está em garantir que seu trabalho seja feito para trazer informações apuradas e ajudar na formação da opinião público ou do público. Não pode pregar a intolerância ou mesmo, a desordem social. O que dizer quando um radialista sugere que as pessoas agridam policiais porque um policial foi flagrado agredindo outrem? Na missão de resguardar direitos individuais e coletivos, o profissional da Comunicação deve cobrar apuração rigorosa e punição na forma da Lei para o infrator. Provocar a insurgência ou induzir cidadãos a cometerem delitos beira a irracionalidade. Mais grave ainda é nominar trabalhadores com o adjetivo pejorativo de “vagabundos”, quando esses estão promovendo a ordem de acordo com o que preconiza as legislações. Dizem até que jogadores de futebol precisam apanhar para que deem alegrias aos seus torcedores, talvez os mesmos que os tenha agredidos. São exemplos claros da confusão entre liberdade de expressão e expressão de libertinagem.

Cabe também ao espectador separar o real do manipulado, a veracidade frente ao ilusório, a credibilidade diante da audiência. Não somos responsáveis pela guerra de números, acessos ou ibopes entre sites, tevês, rádios e jornais. O espectador é um ator de uma cena social que merece ter a fidedignidade dos fatos que lhe são passados e os profissionais de Comunicação precisam estar atentos para garantir a beleza dessa profissão que enobrece e protege a sociedade brasileira aos longos dos anos.

Jeremias Silva é jornalista e editor do Política na Rede

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