Acervo do ex-governador Roberto Santos é doado ao Centro de Memória da Bahia

Mais de 10 mil itens, entre documentos textuais, iconográficos e bibliográficos, que pertenciam ao ex-governador Roberto Santos agora integram o Centro de Memória da Bahia. O acervo documental que guarda parte importante da memória política e histórica do médico, professor e político, e também do estado foi transferido pelo ex-governador à Fundação Pedro Calmon, gestora do centro. O documento que autoriza a entrega, o Termo de Doação, foi assinado na tarde desta sexta-feira (7) durante uma cerimônia realizada no Palácio da Aclamação, em Salvador.

O acervo, que já foi completamente higienizado e se encontra em fase de catalogação, vai contribuir para a manutenção da memória do estado e, com a doação, os mais de dez mil objetos serão preservados corretamente. Quando estiverem prontos para serem disponibilizados para a comunidade acadêmica como fonte de pesquisa, os documentos vão permitir um maior entendimento, por exemplo, dos processos políticos do século passado.

Participando ativamente do processo de identificação das personagens constantes nas fotografias que compõem o acervo, Roberto Santos decidiu fazer a doação para guardar lembranças e contribuir com o arquivo público do estado. “Quando eu fui governador, entre os anos de 75 a 79, eu visitei muito nosso interior, praticamente todos os municípios, e eu sempre fazia fotografias dos lugares, e na companhia de outras pessoas também, e fui colecionando esses materiais. Estou muito feliz porque espero que a coleção ajude a geração atual e as futuras a entenderem e conhecerem mais da história da Bahia”, contou o ex-governador.

Para o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, tornar este material acessível, no acervo de memória e na Biblioteca Virtual Consuelo Pondé, é uma forma de contar o que verdadeiramente aconteceu na história da Bahia. “Este é um trabalho de deixar a memória da Bahia permanentemente viva, e a história do professor Roberto Santos é algo mais do inusitado, com momentos marcantes para a história do Brasil. Muitas pessoas desconhecem, por exemplo, que ele, em 1975, editou um decreto que extinguiu a regulamentação de que todo terreiro de candomblé, para funcionar, era obrigado a se registrar e pedir licença para a Delegacia de Jogos e Costumes da capital. A um só tempo, ele deu demonstração de tolerância religiosa, de respeito à liberdade de culto e mais do que isso, de direitos humanos”, contou Zulu Araújo.

Acervo – No total, são 5.426 imagens, que contam a história do contexto social e político de diversos eventos e circunstâncias, além de negativos. Entre os documentos estão correspondências, relatórios, termos, projetos, e outros tipos. Os livros escritos pelo ex-governador também estão na lista: ‘A universidade e os novos propósitos da sociedade brasileira’ (1973); ‘Reflexões sobre temas da atualidade’ (2005); e dois exemplares de ‘Um mandato parlamentar a serviço de causas sociais’ (1998).

Segundo o diretor do Centro de Memória da Bahia, Rafael Fontes, a previsão é que em menos de um ano tudo seja disponibilizado para acesso público. “Neste momento publicizamos o acervo. Alguns poucos itens ainda passarão por restauração, e a partir daí começaremos a descrever os materiais, que é um trabalho de item a item, para depois ser digitalizado e tornado público e isso será feito paulatinamente. Em cinco meses o primeiro fundo do acervo será disponibilizado, e em nove meses todos estarão disponíveis ao público”, afirmou.

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