Movimentos querem permanência de Jerônimo na SDR: “Bom técnico e articulador político”

Técnico das áreas de agricultura familiar e da economia solidária, mas também considerado exímio político e articulador, o atual secretário de Desenvolvimento Rural (SDR), Jerônimo Rodrigues, é tido pelos movimentos sociais como o melhor nome para continuar à frente da pasta com a minirreforma feita pelo governador Rui Costa (PT).
A possibilidade da saída dele, por questões relacionadas à disputa de poder dentro do partido, gerou grande preocupação. Os movimentos afirmam que Rodrigues – à frente do órgão que ajudou a idealizar desde janeiro de 2015 – realizou um trabalho “exemplar” e fortaleceu a política da agricultura familiar, segmento responsável pela produção de 77% dos alimentos que chegam à mesa dos baianos.

Entre suas principais ações, estão o diálogo e a canalização de diferentes correntes políticas e de legendas aliadas. “Normalmente os partidos ocupam os espaços e atuam voltados apenas para as pessoas das suas relações políticas. Ele fez diferente”, comenta um aliado do secretário. Outros feitos também são apontados: a agroindustrialização, regularização fundiária e distribuição de títulos de terra, distribuição de palmas para a sustentabilidade da bovinocultura e caprinocultura, além da aproximação da pesquisa acadêmica com as propriedades rurais. Durante a gestão de Rodrigues, a Bahia ficou em 1º lugar na produção de mel do Nordeste e 3º lugar no Brasil. Tudo isso seguindo à risca a cartilha do governador Rui Costa: minimizar custos em um período onde se vislumbra uma grave crise financeira.

Nesta quinta-feira (19), os movimentos deram início a uma mobilização pedindo ao governador Rui Costa a permanência de Jerônimo. A Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil (Unisol) reafirmou no documento o histórico de secretário. “É fundamental que haja sensibilidade na condução dessas políticas, é preciso compromisso de gestão. Jerônimo Rodrigues vem demonstrando ter todas essas qualidades. Com seu histórico ligado aos povos do campo e a defesa da autonomia da classe trabalhadora rural, Jerônimo tem contagiado a pauta da agricultura familiar e da economia solidária com seu dinamismo e sua condução democrática e dialogada”, explicita a nota.

A Coordenação Estadual dos Territórios de Identidade da Bahia (CET) também se pronunciou e disse temer, com a retirada de Jerônimo da pasta, um retrocesso com um modelo autoritário sustentado em práticas clientelistas. “Preservar os valores políticos do diálogo, da participação e controle social é, também, uma estratégia de dar legitimidade a atuação de lideranças políticas enquanto gestores públicos. Nesse contexto, a CET manifesta seu entendimento sobre a necessidade de fortalecer a SDR, mantendo e ampliando sua estrutura administrativa, orçamentária e financeira, inclusive, com a permanência do Secretário Jerônimo Rodrigues”, diz.

A suspeita em torno da possível saída do secretário gerou críticas ao modus operandi nas articulações do PT pela cadeira da pasta. O fato dele não ser de nenhuma corrente política, aliado às informações de que sairia deputado estadual em 2018, teria levado alguns petistas a tira-lo “do circuito” para não se cacifar. “Ou seja, é o poder pelo poder em detrimento dos programas sociais que fundamentaram o PT. Jeronimo estabeleceu uma meta, a de deixar a secretaria firme para se tornar uma política de estado e não apenas de governo”, acrescentou o aliado. Na carta ao governador, a CET pontuou: “Abrir mão de um espaço como a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR) para ampliar a atuação do agronegócio no estado representa um grande retrocesso que a base social que elegeu o governador não é capaz de suportar”.

Ações – O aprofundamento da agroindustrialização da agricultura familiar na gestão de Rodrigues permitiu aos agricultores ter menos preocupação com a perecebilidade dos alimentos. “Os produtores com pequenas propriedades perdiam alimentos rapidamente e só voltava m a produzir no tempo adequado. A agroindustrialização eleva a qualidade e o lucro, gerando mais renda no campo”, acrescentam movimentos sociais.
Pesquisa – Outro ponto considerado um avanço na gestão do atual secretário foi a relação com as pesquisas acadêmicas. Professor universitário da Universidade Estadual de Feira de Santana, ele conseguiu estabelecer um intenso diálogo com a academia, criando uma rede de pesquisa para levar às propriedades rurais os conhecimentos existentes na instituição.

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