Eleições 2016 em Salvador: Apenas palpites, por Jeremias Silva

As previsões eleitorais são comuns no período que antecede ao pleito. Não é difícil que vários palpites sejam dados sob a ótica daqueles que acompanham o cenário político. Mesmo em relação às eleições para os legislativos municipais, alguns analisadores se permitem apontar quais serão eleitos para ocuparem as cadeiras de representantes do povo.

Não seria diferente na capital baiana, onde a cena política não costuma mudar muito, pois a interferência de diversos fatores como a influência do prefeito, a participação do governador ou até mesmo, a aparição meteórica pode ajudar nas candidaturas. Questões como as novas regras eleitorais e os recentes acontecimentos políticos nacionais devem completar a receita de uma eleição atípica, que será um marco para as próximas eleições.

Os candidatos tentam fazer suas campanhas e angariar votos de indecisos para chegarem bem na reta final de uma jornada. O fim do financiamento privado foi uma flechada mortal para vários deles que estavam acostumados ao uso do poder financeiro para movimentar suas candidaturas. O futuro já reservou problemas nas prestações de contas que influenciarão nos próximos pleitos. Os CPF’s dos incautos doadores devem causar muitas dores de cabeças para quem terá que se explicar nas barras da Justiça.

As composições partidárias para o Poder Executivo foram feitas de foram a tornar mais fácil a vida dos postulantes ao cargo. A disputa entre o atual prefeito ACM Neto (DEM) e Alice Portugual (PCdoB) saiu dos palanques e segue na Justiça. O poderio do democrata frente à comunista se dá principalmente, pelo fato de quem conduz a máquina pública no momento. As pesquisas mostram Neto muito à frente da segunda colocada, que tem subido – mesmo que timidamente – e busca o segundo turno com o auxílio do humorado Pastor Isidoro, que segue uma linha política com objetivo traçado, mesmo parecendo “doído” para alguns desavisados.

Eis que o Legislativo que ajudará o próximo prefeito ou a futura prefeita se configura, a partir de coligações que foram verdadeiras equações políticas. Tudo com vistas à garantir uma base eleitoral ampliada se o prefeito for reeleito ou quem sabe, salvar o quadro dito oposicionista na Casa do Povo.

O DEM traz nomes como os atuais vereadores, Palhinha; Léo Prates, Cláudio Tinoco, Duda Sanches e Vado Malassombrado, esse último com menos chances de reeleição. Os novatos Alexandre Aleluia e o experiente Maurício Trindade podem se juntar ao grupo. A coligação demista tem o PRB do Pastor Luiz Carlos e das próximas “revelações” da Igreja Universal: as pastores Rogéria e Irelda, seguindo passos da pioneira Tia Eron, hoje deputada federal. O grupo de partidos completa com o PMB da defensora de animais Ana Rita Tavares.

As coligações proporcionais que apoiam o candidato Pastor Isidoro (PDT) seguem com perspectivas mais tímidas, mas não menos traçadas do ponto de vista das forças partidárias que integram. As legendas PDT, PROS e PSL se esforçam para superar a marca de dois vereadores (Odiosvaldo Vigas e José Trindade). Veterano, Vigas poderá ter a companhia de correligionários como Randerson Leal, filho do deputado estadual Roberto Carlos (PDT) ou do jovem Manassés, filho do deputado Manassés (PSB). A política do DNA pode ser quebrada por Mário Pithon que já começa a figurar como possível surpresa no PDT.

PMN e PRP buscam a eleição de um nome, algo que seria amplamente comemorado pelos integrantes da legenda. O nome mais conhecido é do ex-vereador Adriano Meireles. Esse continua com a sua candidatura apontando no sistema do TSE com indeferimento, apesar do recurso pedido pelo candidato.

João Henrique Carneiro. Esse é o nome escrito na tábua de salvação da coligação PP-PR que traz Cláudio Silva como novidade na disputa ao Executivo. Com um candidatura que prezou apenas pelo aspecto visual, Silva não foi além do discurso e sabe onde quer chegar após o resultado das eleições. Nem Silva puxa João e nem João puxa Silva, apesar de estarem ligados umbilicalmente na empreitada dessa eleição. O problema que João poderá enfrentar é ter que carregar a coligação sozinho e não ter votos suficientes para isso.

PSOL ficará sendo a incógnita da eleição. O partido tentará chegar nos votos suficientes para reeleger o vereador Hilton Coelho. Uma missão difícil apesar do recente protagonismo da legenda em grandes questões nacionais.

PPL e PRTB não devem aprontar qualquer surpresa e não deve ser dessa vez que emplacarão um nome para ter assento em alguma cadeira.

O PTN deve voltar com Carlos Muniz e Toinho Carolino. Uziel Bueno e Sidninho correm por fora para garantir que o partido tenha uma possível terceira vaga.

PMDB e PSDC compõem um agrupamento que beneficia apenas o primeiro partido. Pedrinho Pepê e Alfredo Mangueira podem ter a companhia de mais um correligionário. O candidato Daniel Rios pode ser a surpresa por conta do laço sanguíneo. É irmão do médico e deputado estadual David Rios.

PV e Solidariedade podem gerar inimizades futuras. Geraldo Júnior pode ser o único beneficiado nessa coligação “solidária” do PV com a sua legenda. Henrique Carballal, Marcely Moraes, Sabá tentam chegar como os primeiros colocados dos verdes. Já o vereador J.Carlos Filho enfrenta as candidaturas concorrentes no seu segmento e na região do Subúrbio Ferroviário para tentar ser reeleito. Paulo Magalhães Júnior briga por fora para tentar surpreender e retornar ao plenário Cosme de Faria.

PHS e PTdoB  apostam que sub-celebridades e religiosos fermentem a coligação que somente emplacará políticos do PHS. A engenharia política creditada ao candidato a vice-prefeito Bruno Reis pode se transformar em uma grande bancada ou uma história de conto de fadas. Representando suas denominações religiosas, Isnard Araújo e Cátia Rodrigues chegam com certa vantagem. Sempre bem votado e agora em uma legenda que suporte essa votação, Téo Senna figura entre os prováveis eleitos. O candidato Igor Kannario é a grande aposta do PHS para trazer o atual vereador Alemão.

O PSC pode trazer os atuais vereadores Heber Santana e Alberto Braga. Tentam chegar pela primeira vez, Ricardo Almeida e Lorena Brandão que confia no lastro religioso de seu pai, o bispo Átila Brandão.

O PSDB deverá apontar com Paulo Câmara e Tiago Correia. Outros candidatos que já sentaram nas cadeiras do Legislativo devem apenas garantir a eleição dos dois atuais vereadores.

O PTC de Rivailton Veloso continuará cumprindo seu papel de figurante na eleição.

O PEN faz uma grande aposta de DNA com Ró Santana. O problema é que a legenda não apresenta capilaridade, apesar de alguns nomes conhecidos de quem circula no meio político apenas.

PTB e PPS pode chegar com Kiki Bispo e Joceval Rodrigues. Tássia Gama aposta no sobrenome do pai para se eleger. Beca, Euvaldo Jorge e Leandro Guerrilha tentam pegar uma possível vaga.

Choro e ranger de dentes podem acontecer na coligação PT-PSD e PCdoB. A possibilidade de eleger seis vereadores é quase uma unanimidade no grupo. Petistas acreditam que emplacam quatro nomes: Arnando Lessa, Yulo Oiticica, Luiz Carlos Suíca e Gilmar Santiago. No PSD, o vereador Edvaldo Brito tem larga vantagem. A candidata Débora Santana pretende causar surpresas. No PCdoB, a briga é intensa pelas vagas restantes: Everaldo Augusto é tido como reeleito. A atual vereadora Aladilce e os sindicalistas Everaldo Braga, Rui Oliveira, Reginaldo Oliveira e Hélio Ferreira tentam superar as expectativas e ocupar uma vaga. O jovem Marcelo Gavião parece não ter decolado sua candidatura como projetou.

O PSB tenta trazer o vereador Sílvio Humberto novamente. Nomes como Samuel Nonato, Tadeu Fernandes, Marcelo Cerqueira e o ex-jogador de futebol Marcelo Ramos tentam manter uma votação que garanta o partido na próxima legislatura.

Terminada a análise, lembrem que são apenas palpites que não merecem comemorações ou tristezas antecipadas.

Jeremias Silva é jornalista e editor do site Política na Rede

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