“Cassar Eduardo Cunha é reafirmar a injustiça”, por Leonardo Queiroz

É preocupante as variadas manifestações de regozijo provenientes à cassação do mandato do ex-Deputado Federal Eduardo Cunha. Comemorações efusivas em redes sociais utilizando-se inclusive, de bordões criados no período do impedimento da presidente Dilma Rousseff, a exemplo do “tchau querido”. Não quero acreditar que deseja-se em alguma medida comparar ambas as situações.

A cassação do Cunha não é signo de justiça, não empresta prestígio, seriedade, probidade, nem mesmo imparcialidade à Câmara do Deputados. Ao contrário, reafirma o sentimento da maioria da população, que inclusive reelegeu a Dilma, do golpe construído pelo Vice-presidente e o Congresso Nacional. Resta demonstrado que ao permitir o prolongamento da permanência de Cunha na presidência da Câmara Federal tinha como único objetivo consumar o golpe que já se tramava.

Cassar o mandato de alguém com os atributos de Eduardo Cunha após a consolidação do golpe de Estado que presenciamos dias atrás, deveria ser motivo de tristeza e manifestações de indignação, pois esta é a prova de que os nossos representantes têm como objetivo apenas resguardar os interesses de um seleto segmento de nossa sociedade. O capítulo escrito em nossa história no dia 12 de setembro de 2016 é apenas a ratificação dos tempos temerosos que se enfrentará.

Por fim, vale relembrar um de tanto valiosos ensinamentos do saudoso Ruy Barbosa quando afirmou que justiça tardia nada mais é do que injustiça!

Leonardo Queiroz é advogado

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