Ministro da Transparência era conselheiro de Renan Calheiros para agir contra a Operação Lava Jato

O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, negou ter cometido irregularidades durante as conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, reveladas pelo telejornal Fantástico, da TV Globo, no domingo (29).

Nos áudios, registrados há cerca de três meses, quando ainda era do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Silveira aconselha Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre como deveriam agir em relação às investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Atualmente, o ministro comanda pasta estratégica para medidas de combate à corrupção no País.

Em nota, Silveira alega que esteve “de passagem” na residência oficial do presidente do Senado na ocasião em que a conversa foi gravada, que não sabia da presença de Machado na reunião e que os dois não têm nenhuma relação, pessoal ou profissional.

Funcionário de carreira do Senado, Silveira foi indicado para o CNJ pelo próprio Renan, no ano passado. Entre as competências dos conselheiros do Ministério Público, cargo ocupado por ele na época, está “a fiscalização administrativa, financeira e disciplinar do MP em prol do cidadão”.

A conversa entre Silveira, o presidente do Senado e Machado ocorreu poucos meses antes de sua indicação para o ministério da Transparência pelo presidente em exercício, Michel Temer. A pasta substituiu a Controladoria-Geral da União (CGU) e será responsável pelo novo marco legal para os acordos de leniência para empresas envolvidas com corrupção.

No áudio, Renan se mostra preocupado com um dos inquéritos a que responde no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga ele e Machado por supostamente terem recebido propina para favorecer um consórcio de empresas em licitação para renovar a frota da Transpetro.

Na gravação, Renan diz a Silveira que está preocupado com um recibo. O ministro, então, discute com eles a estratégia de defesa para o caso e aconselha o senador a não entregar uma versão dos fatos por dar à Procuradoria condições de rebater detalhes da defesa.

Em outro trecho, o ministro faz críticas à condução da investigação da Operação Lava Jato pela PGR e afirma que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e os demais procuradores estão “perdidos”.

A reportagem do Fantástico revela ainda uma outra conversa, de 11 de março, sem a presença de Fabiano Silveira, na qual Renan e Machado comentam a atuação do atual ministro, que teria ido falar com Janot depois da reunião que tiveram em 24 de fevereiro. Na conversa, o presidente do Senado relata que não acharam nada contra ele e que Janot o teria chamado de “gênio”.

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