“Democracia não pode sucumbir ao golpismo”, diz Afonso Florence

O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), voltou a criticar ontem (10), o movimento golpista patrocinado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, com a ajuda do PSDB, DEM,PPS e outros partidos que decidiram rasgar a Constituição para conseguir chegar ao poder sem os votos do povo brasileiro. Florence disse que o PT vai “perseverar na luta para que o golpe não seja consumado”, já que a presidenta Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade ao assinar decretos de gestão orçamentária. “Trata-se de um golpe, nada mais do que isso”, frisou.

Florence observou que todo o processo de impeachment está contaminado e devia ser, portanto, anulado. Além de não haver crime de responsabilidade, ele citou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), por 11 votos a zero, de suspender o mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e destituí-lo da presidência da Câmara dos Deputados. Foi Cunha quem iniciou o processo de impeachment, mas foi afastado pelo STF em razão de pedido do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que listou onze pontos que mostraram como o peemedebista utilizava o mandato de forma irregular, agindo em desvio de finalidade e com abuso de poder, objetivando livrar-se das consequências dos crimes por ele cometidos.

“Há uma evidente nulidade dos atos praticados por Cunha, inclusive a abertura do processo de impeachment”, disse o líder do PT.
Afonso Florence disse que Temer foi eleito como vice-presidente de Dilma, num sistema que é de coalizão, com base numa proposta de governo diametralmente oposta ao que agora promete implementar, caso o golpe seja de fato consumado pelo Senado.

“Trata-se de um enorme retrocesso, com uma agenda de retirada de direitos econômicos e sociais dos trabalhadores brasileiros”.

Ele afirmou que Temer não tem legitimidade para governar, menos ainda para implementar uma agenda “reacionária e dos rentistas’. O líder lembrou que Temer, hoje, sequer teria votos para se eleger deputado federal por São Paulo. Pesquisas de opinião também mostram rejeição ao nome de Temer e que Dilma tem três vezes mais apoio para continuar no cargo do que o vice traidor.
Além disso, Florence criticou o espírito de conspirador e traidor de Temer. O líder lembrou que, na condição de articulador político do governo Dilma, Temer aproveitou para tramar e conspirar, dando início a um processo golpista . “ Não há denúncia contra a presidenta Dilma, ela não tem conta na Suíça, como Eduardo Cunha, e nem é citada na Lava-Jato, como Temer. E são esses dois os principais artífices do golpe, com a ajuda do PSDB,DEM e PPS, que sempre deram blindagem a Eduardo Cunha”.

Para o líder, o golpe insere-se num processo mais amplo, na América Latina, para a derrocada de direitos sociais e econômicos dos trabalhadores e das camadas mais pobres da sociedade. Essa estratégia, segundo ele, é patrocinada não só por oligarquias e setores do Judiciário e da burocracia estatal locais, mas também por interesses estrangeiros, com o objetivo de deixar o Brasil e outros países com governos títeres, que não defendem a soberania nacional e os interesses da maioria da população. “Mas vamos lutar contra isso, a democracia não pode sucumbir ao golpismo”.

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