Linha Viva é uma obra desnecessária que aumenta a exclusão social, afirma Hilton Coelho

hilton (2)No início de março o secretário de Mobilidade Urbana, Fábio Mota, declarou que a prefeitura de Salvador quer que as obras da Linha Viva, via expressa que ligará o Acesso Norte ao Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, comecem ainda no primeiro semestre de 2015. O vereador Hilton Coelho (PSOL) criticou a atitude da gestão do prefeito ACM Neto (DEM) e qualifica como “um absurdo a construção desta via que vai impor 20 praças de pedágio dentro da nossa cidade, vai desapropriar mais de 3 mil pessoas, separar famílias e aumentar a exclusão”, afirma o socialista.

 “É uma obra desnecessária e agressiva para a população que terá de pagar pedágio para circular em Salvador. Os moradores de bairros como Saramandaia, Pernambués, Mussurunga, São Cristóvão, entre outros, serão prejudicados com a relocação no processo de implantação da via. Não é surpresa para mim o comportamento elitista desta administração. Querem mexer com a cidade, com a vida de milhares de pessoas e meter a mão nos bolsos das pessoas de nossa cidade sem nenhuma cerimônia”, avalia Hilton Coelho.

 De acordo com ele, “uma via expressa destinada aos automóveis, não atendendo meios de locomoção mais populares como os ônibus e as bicicletas, representam um apartheid social. Além disso, num segundo grau de exclusão, o valor da tarifa anunciado pela prefeitura também será abusivo para o percurso de 17,7km”. Hilton Coelho acrescenta que “a cidade continua necessitando de bons projetos de transporte coletivo. A Linha Viva não prioriza a maioria da população; atende ao interesse de poucos e expulsa de suas casas milhares de famílias”, critica.

 “Não podemos permitir este absurdo. O debate deve ser travado de forma transparente e profunda e não com o açodamento que prefeito ACM Neto quer impor. A discussão sobre a Linha Viva envolve muitos interesses na medida em que implicam em verbas em torno de R$ 2 bilhões, desapropriações de ordem de 4,6 milhões de metros quadrados e uma concessão através de outorga por 35 anos. Quem ganha com este disparate? Os direitos da população que sofrerá a desapropriação serão respeitados? Haverá justiça no pagamento quando legalmente não se sabe quem são os proprietários de terrenos beneficiados nem o preço que será pago pelas desapropriações? Quem assegura que não haverá injustiças?”, questiona o vereador.

 Para ele outro agravante diz respeito ao impacto ambiental que deve ser avaliado de forma criteriosa. “Com certeza não serão preservadas a Mata Atlântica e a Reserva do Cascão. As entidades representativas de engenheiros, arquitetos e urbanistas, os movimentos urbanos e ambientais, as associações de bairro, e outros segmentos da população exigem participação e exercerem seu direito de opinar a respeito de uma obra que repercutirá por toda a cidade e será paga por todos nós. O direito à cidade de toda a população tem de ser garantido e resistiremos a mais esse projeto excludente que beneficia a iniciativa privada e massacra os moradores de bairros populares”, finaliza Hilton Coelho.

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