Agentes de saúde protestam para defender a cidade da febre chikungunya

endemias_pelourinho“Sou de outro estado. Vim do Norte para conhecer Salvador. A cidade é linda, mas, saber que tem risco de dengue e da outra doença [febre chikungunya] é muito triste”. O depoimento de uma turista ouvida pela assessoria do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps), no Largo do Terreiro de Jesus, ressalta o medo dos visitantes com a possibilidade de serem vitimados por essas e outras endemias durante suas passagens pela capital baiana.

A falta de possibilidades operacionais dos agentes de saúde para realizarem um trabalho de prevenção e bloqueio do vírus CHIKV (causador da febre chikungunya) e do aedes aegypti (causador da dengue), aumentou o temor de soteropolitanos e turistas, principalmente com o intenso verão tropical e a proximidade do Carnaval, considerado como a maior festa de rua do planeta.

[DDET Saiba como foi o protesto que parou o centro da cidade:]

Motivados em defender a população, os agentes de saúde realizaram um protesto, nas ruas do centro da cidade, nesta segunda-feira (26), para cobrar da Prefeitura Municipal, que providencie regularizar a situação dos pontos de apoio (PA‘s) em todos os distritos sanitários. Além disso, a categoria exige novo fardamento, confecção das identificações funcionais, equipamentos de proteção individual (máscaras, luvas, protetor solar e mochila), dentre outros itens que constam na pauta apresentada aos titulares da Secretaria Municipal de Gestão (Semge) e Saúde (SMS).

Os trabalhadores e trabalhadoras seguiram pelas ruas do Comércio em direção à Praça Municipal, onde decidiram por unanimidade, pela realização de uma paralisação de advertência, pelo prazo de 48 (quarenta e oito) horas. Logo após, com a adesão de alguns turistas, os agentes de saúde seguiram pelo Terreiro de Jesus e terminaram o protesto no Largo do Pelourinho, na frente da Casa de Jorge Amado.

O diretor do Sindseps, Enadio “Careca” afirmou que os agentes de saúde continuarão realizando novos atos de protesto na cidade. Segundo o dirigente, a categoria tem sido heroica para montar defesas contra doenças como a febre chikungunya. “Estamos sacrificando nossa jornada de trabalho para fazer o melhor para a cidade. Não estamos brigando por dinheiro. Nosso alerta é para reunir condições mínimas de trabalho para proteger a capital baiana. O verão está convidativo e o Carnaval está chegando. O vírus da chikungunya quer ser um visitante indesejado e nós estamos combatendo. Infelizmente, não temos mais condições de manter essa linha de defesa, pois a Prefeitura não nos oferece as possibilidades operacionais”, declarou Enádio, que também preside a Associação dos Agentes de Comunitários e de Endemias de Salvador (Aaces).

De maneira mais enfática, o diretor do Sindseps, Everaldo Braga disparou: “Se alguém for vitimado por qualquer das endemias combatidas por estes trabalhadores, a culpa é do prefeito da cidade. Chikungunya, dengue, raiva, leptospirose, esquistossomose e outras doenças potencializadas no verão e com grande fluxo de pessoas estão com as portas abertas em Salvador. Os agentes de saúde estão sem condições de trabalho e a Prefeitura nega as reivindicações feitas pela categoria, como se fosse natural negociar com a vida dos cidadãos”, disse Braga.

Os trabalhadores voltam a se reunir na próxima quinta-feira (29), às 08h, no Largo do Campo Grande. Durante o novo encontro, a categoria deve decidir os rumos da mobilização. “Vamos fazer uma nova assembleia para definir se novas paralisações de advertência devem ser feitas. Os agentes de saúde virão com suas fardas para mostrar a cidade. Não sossegaremos enquanto não tivermos o respeito devido ao trabalhadores e à cidade”, concluiu Everaldo. [/DDET]

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