Taxistas e motoristas de aplicativo divergem sobre regulamentação em Salvador

A atmosfera de um jogo de futebol, com muita rivalidade entre as torcidas, assemelha-se ao clima instaurado do Edifício Bahia Center, anexo da Câmara Municipal, durante a audiência pública que discutiu a regulamentação de taxistas e motoristas de aplicativo em Salvador, na tarde desta quinta-feira (3). Mesmo com o apoio da Polícia Militar, o debate, proposto e mediado pelo presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Serviços Municipais, vereador Hélio Ferreira (PCdoB), terminou mais cedo por falta de entendimento entre as partes.

Para Hélio Ferreira, “as duas categorias são importantes para a cidade e precisam ser devidamente valorizadas”. O vereador destacou a importância da presença do secretário municipal da Mobilidade, Fábio Mota, no encontro. “Essa é uma das grandes demandas da Comissão de Transporte. Todos querem saber como será a regulamentação dos serviços de táxi e transportes em Salvador”, afirmou.

A esperada fala do titular da Mobilidade em relação à regulamentação foi bem recebida pelos taxistas. “A evolução faz parte de qualquer grande metrópole e é bem vinda, mas quem está chegando [motoristas por aplicativo] não pode atropelar quem já está estabelecido [taxistas]. É claro que a prefeitura vai pensar na questão dos empregos que são criados com os aplicativos. Mas temos que analisar, também, os que perdem os seus postos. Procuramos uma boa solução para todos”, ponderou Mota.

Rivalidade aflorada – Os ânimos exaltados tiveram que ser contidos em alguns momentos por policiais militares e pelo mediador Hélio Ferreira. E se engana quem pensa que as discussões ficaram restritas aos motoristas e taxi contra condutores por aplicativos. Os próprios sindicatos dos motoristas de Uber também brigaram entre si pelo direito de representar a categoria. “Se nem vocês, que defendem o mesmo lado, conseguem chegar a um entendimento, imaginem como é complicado elaborar essa regulamentação”, atestou Mota.

Presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativos e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia, Átila Santana, defendeu a categoria. “Ninguém está rodando por aplicativo porque quer. Pagamos muitos impostos e somos explorados. Perdemos 25% do que ganhamos para e empresa, somos obrigados a entrar em locais perigosos. Essa questão tem que ser olhada com muita imparcialidade porque todos somos cidadãos”, argumentou.
Do alto dos 28 anos como taxista, Gilberto de Oliveira e Silva, presidente da Cooperativa Associativa de Assistência dos Taxistas (Coastaxi), rebateu. “Nós pagamos impostos para poder trabalhar. Por que vocês não pagam? Querem ter o mesmo direito? É justo? Coloquem a mão na consciência e procurem se aproximar daquilo que é legal”.

Autointitulado “motorista de aplicativo mais antigo de Salvador”, Cláudio Sena, da Associação de Motoristas Particulares e de Aplicativo da Bahia (Ampaba), relata que acumula mais de 10 mil viagens. Sobre a regulamentação, explicou que é necessário que as categorias sejam tratadas de forma distinta. “A natureza dos serviços de aplicativo é privada, enquanto os taxistas trabalham por concessão pública. Diferentemente do que falaram, pagamos impostos. Só não pagamos Imposto Sobre Serviços”, ponderou.

Já para o presidente da Associação Metropolitana dos Taxistas (AMT), Valdeilson Miguel, “se os profissionais fazem serviço com a mesma finalidade devem ser tratados de forma igual”. De acordo com o motorista, não tem sentido os condutores por aplicativos terem benefícios que os taxistas não têm. “Estamos passando por muitas dificuldades”, reclamou.

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